Vi a seguinte pergunta de Jean Paul Satre: “Quem sabe se o mundo não seria melhor sem os homens?”.
E eis a minha resposta:
Em uma imagem azul, límpida e inabitada, em um distante Planeta quase vazio, sem os seres pensantes, para entender quão belo é aquele lugar, enquanto algum Deus egoísta e super-protetor observa, de longe, sua criação, as cachoeiras derramam, em lágrimas, a solidão daquelas que, jamais, serão lidas em romances.
Fazendo movimentos rotineiros, as formigas trabalham, diariamente, acordando com o sol e dormindo, ao anoitecer, abelhas buscam alimentos nas plantas, o beija-flor procura o néctar nas flores mais lindas, a lagarta se encanta, para, depois de vinte e quatro horas, morrer como uma, incrivelmente, bela e colorida borboleta, a corrida de difícil alcance do jaguar, a branquidão da lebre, imperceptível em um campo níveo; uma onça camuflada, no meio da selva, espera a próxima vítima; a irrecusável sedução do pavão, a dança iluminada das águas-marinhas reunidas em alto mar, o aviso soante to bem-te-vi, o canto hipnotizador do uirapuru, essas artes tão perfeitas, nunca terão a chance de exibir-se a olhos contemplativos.
Quem descreverá a doçura do mel, conhecendo apenas o sabor de um beijo apaixonado e lembrará, com saudades, a magia da natureza nunca vista? Afinal, de que serve tanta exuberância sem as humildes palavras para descrever tudo?
Qual é a sua resposta?









